jusbrasil.com.br
17 de Agosto de 2022

Alvos de protestos de junho de 2013 conseguem vitória nas eleições

Tony Wippich, Contador
Publicado por Tony Wippich
há 8 anos

As manifestações de junho do ano passado e o clamor por mudanças pouco se refletiram no resultado das urnas das eleições deste ano.

No plano federal, a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) terminou o primeiro turno na liderança, à frente de Aécio Neves (PSDB), com quem disputará a Presidência da República no próximo dia 26.

A candidata Marina Silva (PSB), que passou a campanha criticando a velha forma de fazer política, uma das principais queixas das ruas, perdeu terreno nas últimas semanas e acabou fora do segundo turno.

Marina, que assumiu a cabeça de chapa após a morte de Eduardo Campos, era a candidata que mais defendia algumas das bandeiras dos protestos, como passe livre para estudantes, alianças programáticas (e não políticas), combate à corrupção, financiamento público de campanhas.

A chamada "voz das ruas" também não levou para as urnas o maior descontentamento com o governo Dilma. Logo após os protestos de junho, despencou o índice de brasileiros que avaliaram o governo como ótimo ou bom: de cerca de 60% para 30%. Os bons índices de antes dos protestos nunca mais se repetiram. Em pesquisa da semana passada, 37% dos eleitores avaliaram a gestão como ótima ou boa.

Nem mesmo a piora da avaliação impediu que a presidente tivesse uma campanha tranquila, sem jamais ser ameaçada na briga por uma vaga no segundo turno. O pior índice de intenção de voto em Dilma foi de 34% - no final de agosto, logo após a morte de Eduardo Campos.

Os números deste domingo também mostram que os gritos de "sem partido" dos protestos de 2013 não tiveram reflexo nas urnas. Ao menos é o que mostram os percentuais de votos brancos e nulos, pouco acima dos das últimas eleições.

Nesta eleição, optaram por nenhum candidato cerca de 10% dos eleitores – sendo 4% os votos em branco, e 6% os votos nulos -, percentual semelhante ao da eleição de 2010, quando 7% votaram em branco ao anularam o voto.

O nível de abstenções também mostrou-se praticamente estável antes as últimas eleições. Neste ano, 19% dos eleitores aptos a votar não compareceram às urnas. Em 1994 e nas três últimas eleições, o nível de abstenção variou entre 17% e 18%. Já em 2010 houve um número recorde de não comparecimento: 21%.

Disputas estaduais

A desilusão com a política e a necessidade de renovação, tão apregoadas em junho passado, também não se refletiram nos Estados, e os principais alvos dos manifestantes tiveram importantes vitórias políticas.

No Rio de Janeiro, Pezão (PMDB), sucessor de Sérgio Cabral, conseguiu uma vaga no segundo turno das eleições. A disputa será contra Crivella (PRB), outro veterano na política carioca.

Cabral sofreu um enorme desgaste com os protestos, e viu sua popularidade despencar. Em agosto do ano passado, pessoas chegaram a acampar por 36 dias na rua de Cabral, no Leblon.

Uma das principais reivindicações era pela localização do pedreiro Amarildo, que desapareceu após uma operação policial na favela da Rocinha.

Já em São Paulo, os discursos pedindo renovação também não saíram do papel. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi reeleito já no primeiro turno, com expressiva votação. Os tucanos estão no comando paulista desde 1994.

Outros políticos contestados pelos manifestantes também conseguiram bons resultados neste domingo. Renan Calheiros (PMDB) e Henrique Eduardo Alves (PMDB), respectivamente presidentes do Senado e da Câmara quando dos protestos, tiveram vitórias eleitorais.

No Rio Grande do Norte, Alves foi vai disputar o segundo turno, e em Alagoas, Renan Filho conseguiu se eleger logo na primeira rodada das eleições. Neste mesmo Estado, o ex-presidente Fernando Collor (PTB) foi reeleito para a disputa pelo Senado.

No entanto, no Maranhão e no Amapá, a família Sarney não conseguiu eleger seus candidatos. No Maranhão, Flávio Dino (PcdoB), adversário de Sarney, foi eleito governador. E, no Amapá, o candidato apoiado pelo político foi para o segundo turno.


Fonte: http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/10/05/alvos-de-protestos-de-junho-de-2013-conseguem-vi...

11 Comentários

Faça um comentário construtivo para esse documento.

Não use muitas letras maiúsculas, isso denota "GRITAR" ;)

O autor deve estar equivocado sobre as mudanças popularmente almejadas antes das eleições. Não eram mudanças de nomes e sim de direitos e de responsabilidades. Do jeito que está tanto Dilma quanto Aécio, Pezão ou Pezinho, Garotinho ou Garotão, Serra ou Serrote, vai tudo continuar como d'antes. As mudanças têm de serem sobre valores de salários, valores de passagens, na educação, na segurança, na saúde, nas mordomias dos parlamentares e em alguns cargos públicos, no fator previdenciário que o Partido que a elite está querendo eleger criou, na gestão pública e etc. Os "politizados" é que entraram nos movimentos e começaram a envolver nomes ou a fazer baderna. Vi muitos movimentos no Rio de Janeiro ao vivo e acompanhei os de outros estados pela internet e pela televisão e observei isso atentamente. Pessoas que certamente tirarão vantagem com a continuidade dessa forma política em que vivem os cidadãos comuns (assalariados, aposentados do INSS – “os baixas rendas”) que por isso precisam de assistencialismo do estado, estão tentando distorcer a verdade para que tudo continue como d’antes. Acorde, amigo. continuar lendo

Exatamente isso que você disse, Candido! A baderna veio através de pessoas pagas para intimidar os que realmente protestavam por mudanças! continuar lendo

Talvez o autor não tenha prestado atenção que quem estava nas ruas no mês de junho do ano passado, não eram os esquerdistas e nem beneficiários das bolsas do governo (nós é que pagamos). Era a população que trabalha e paga seus impostos. Eram pais e filhos, avós enfim, a família brasileira. Eu participei! Os vermelhos apareceram e foram expulsos. Dilma recebeu os seus votos dos militantes, dos "bolsistas", e dos desinformados. Quem foi às ruas sabia porque estava lá! Os partidos de esquerda, mais pontualmente, o PT, se apropriaram daquele evento dizendo que o que a população queria era um Plebiscito para mudança políca. O PT se aproveitou disso e lançou esse Plebiscito para ir concretizando os seus planos de socializar/comunizar o Brasil. A resposta foi dada nas urnas, levando um candidato que nunca participou dessa esquerda marxista. continuar lendo

Ao contrário do texto, penso que as eleições mostraram exatamente, ou melhor, surpreendentemente, a indignação daqueles manifestantes, que ao meu ver, eram MINORIAAA.. continuar lendo

muitas vezes para mudar , o alvo das politicas incoerentes com a população é que deve ser retirado pois estes so tem uma logica, a do capital privado!!! ou seja, deles e de que os financia e no final , NOS SOMOS usados para enriquecer esta gente, compreenderam pessoal? nao é que o autor se equivocou, mas que infelizmente, os políticos desta velha logica de política corrupta é que nao mudam e nao vao mudar , podem acreditar pois se isto acontecer, é por causa das ruas mesmo, ou seja, vai ser a força!! nao pense que voa mudar so porque acamparam na frente da casa deles, as vezes é preciso mais, acoes judiciais é um bom começo, protestos como aconteceu em SP e por ai vai... visitar o congresso ou assembleia legislativa hehhehe e etc, é muita coisa mas no final vai dar certo, mas quem quer se sacrificar? um sabado, domingo, dia de semana para ir nestes lugares ou protestar? continuar lendo